Aconteceu neste sábado, 26 de março, no auditório do Museu Nacional de Brasília, a cerimônia de premiação do Hackathon O DF QUE A GENTE QUER

O presidente do CODESE/DF, Leonardo Ávila, em seu discurso de encerramento da solenidade, ressaltou que a participação da sociedade em ações como esta gera ganhos substanciais para o coletivo. 

Foi um dia memorável, com a participação de representantes de todas as RAs, que marcará a história do Distrito Federal.   

Todos os projetos apresentados pelas 33 RAs, mesmo os que não foram contemplados, estarão anexos ao documento O DF QUE A GENTE QUER VISÃO 2022 – 2040, que está em fase de execução.

O texto que está sendo construído vai retratar o que a sociedade quer e o que ela busca em termos de melhores condições de vida para os habitantes das suas RAs. Depois de finalizado, o conteúdo estará disponível e acessível aos governantes, à sociedade civil e à iniciativa privada. Qualquer uma destas partes poderá implementá-los, caso haja interesse. 

O Hackathon, que aconteceu em quatro etapas, nos meses de fevereiro e março, selecionou 12 propostas, três em cada rodada. As cidades que passaram para a fase final compareceram para a cerimônia de premiação, todas em igual condição, sem considerar o resultado alcançado anteriormente.

Diante de uma banca de jurados, as doze equipes apresentaram os seus projetos com propostas que vão contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de suas RAs e para o Distrito Federal como um todo.

Após as apresentações, os jurados se reuniram para debater os projetos e selecionar os três vencedores. 

O resultado final foi este:

PRIMEIRO LUGAR

A cidade ESTRUTURAL levou o primeiro lugar no Hackathon o DF QUE A GENTE QUER, com o projeto de criação de uma USINA RECICLÁVEL

 

O LIXO que deu origem à criação da RA é o seu maior TESOURO

 

A proposta para o crescimento socioeconômico da região seria criar uma usina de reciclagem por meio de  parceria público-privada, os materiais coletados seriam transformados em produtos vendáveis.

 

Atualmente, o SLU, por não ter espaço adequado para descartar o material recolhido, consegue reciclar apenas 39% do lixo da Estrutural. Com a criação da usina, o objetivo seria explorar outros 39% desse entulho.   

 

Nesse local, seria feito o reaproveitamento dos resíduos do aterro, transformando-os em fontes de renda e empregabilidade. Toda a população da cidade sairia ganhando, pois a iniciativa geraria mais de 15 mil empregos diretos. 

 

O lixo passaria por um processo que o transformaria em CDR — Combustível Derivado de Resíduos e esse produto seria vendido para as centrais elétricas movidas a combustíveis alternativos. Com isso, a economia da RA giraria e a instalação da usina, além de proporcionar ganho financeiro, iria contribuir para a diminuição do impacto ambiental causado pelo descarte irregular de rejeitos.

SEGUNDO LUGAR

A Região Administrativa de ÁGUAS CLARAS ficou em segundo lugar, com um projeto que propõe transformar a Residência Oficial de Águas Claras num grande CENTRO DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA

A propriedade, atualmente ociosa e gerando despesas aos cofres do GDF, iria tornar-se um espaço democrático onde as potencialidades locais seriam valorizadas. Com isso, a economia da RA giraria, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico da cidade.

Durante o mapeamento, foram encontrados vários TESOUROS locais. As competências estariam nas áreas de cultura, gastronomia, bem-estar, educação, empreendedorismo, design, beleza e moda. Essas riquezas poderiam integrar o Centro Cultural e, com isso, interferiria positivamente na economia da RA.

Após a implementação do projeto, haveria locação de espaços para casamentos, feiras, apresentações teatrais, exposições, simpósios, palestras e eventos em diversos formatos. 

A matriz econômica de Águas Claras é baseada no associativismo, na conectividade, na colaboração, no micro empreendedorismo e na economia criativa. Seriam esses os ativos e a vocação da RA.

Além das locações para festividades pontuais, o incremento financeiro seria obtido também com a venda de ingressos para eventos permanentes e temporários.

Espaços fixos para instalação de lanchonetes, bombonieres, cafeterias e Coworking seriam outras fontes de renda, mediante cobrança de aluguel.  

A estrutura física está quase pronta. São mais de 20 espaços que poderiam ser utilizados para a instalação de estabelecimentos comerciais de diversas naturezas.

TERCEIRO LUGAR

O JARDIM BOTÂNICO ficou em terceiro lugar, com o projeto PAPU RETO: integração dos apenados na sociedade e na vida produtiva. 

Entre inúmeros tesouros identificados, destaca-se o Parque Ecológico Jardins Mangueiral que está localizado entre o Complexo da Papuda e o Presídio Federal. A região conta, ainda, com o bairro Jardins Mangueiral e o Centro de Práticas Sustentáveis. Esse parque interliga a bacia do Rio São Bartolomeu à bacia do Lago Paranoá.

O propósito da equipe, ao propor esse projeto, é a quebra de paradigma, pois os seus membros vislumbram abundância onde todos veem escassez.

O objetivo é transformar a Papuda que, hoje, é conhecida como universidade do crime, em universidade da vida.

O lema defendido pelos membros da equipe é “Justiça sem amor é vingança.”

Trata-se de um projeto que, se implementado, geraria trabalho e renda, inovação social, sustentabilidade e responsabilização. 

A iniciativa contemplaria a integração dos apenados na sociedade e na vida produtiva, transformando-os, e também as suas famílias, em empreendedores. 

Para fazer a economia girar, a partir da mão-de-obra dos apenados e de seus familiares, haveria duas frentes de trabalho, uma interna e outra externa ao Complexo Prisional.

Os detentos iriam trabalhar dentro do sistema prisional, na Fazenda da Papuda, com o plantio de mudas. Estas plantas, específicas do cerrado, seriam a matéria-prima produzida no presídio.

Fora do presídio, no Parque Jardins Mangueiral, seria feito o cultivo dessas mudas pelos familiares dos detentos que trabalhariam na parte externa do complexo prisional.

No Centro de Práticas Sustentáveis, a força de trabalho também viria dos familiares dos detentos. Estas pessoas passariam por cursos de formação onde aprenderiam diversas atividades. Dentre elas, estão a culinária do cerrado, a venda de plantas medicinais e de arranjos de flores, dentre outros produtos que teriam como base as riquezas que o parque ecológico produzisse.

As consequências, além do desenvolvimento socioeconômico do local, seriam percebidas em termos sociais e ambientais, com impacto na economia e segurança do DF.

Já existe a estrutura física que receberia os trabalhadores. O Centro de Práticas Sustentáveis possui dois espaços de cozinha e viveiro que poderia ser utilizado para produzir e distribuir os produtos aos locais de venda e aos pontos turísticos de Brasília. Os artigos fabricados também seriam vendidos via ecommerce.

Os projetos seriam financiados por meio de compensação ambiental, renúncia fiscal, fundo constitucional e publicidade. Desse modo, os custeados pelo Estado passariam a gerar renda para o Distrito Federal.